“Gracias por el fuego”, de Mario Benedetti.
“Nesse país, em que os escassos revolucionários por vocação
suspenderiam sua revolução por causa do mau tempo, ou a adiantariam até abril
para não perder a temporada de praia, neste amorfo país de andrajosos que votam
em milionários, de peões rurais que são contra a reforma agrária, de uma classe
média que cada vez mais encontra dificuldades para imitar os tiques e os
coquetéis da alta burguesia e no entanto pensa na palavra solidariedade como se
se tratasse do sétimo círculo infernal, nesse país de tipos como eu próprio,
desacomodado em meu sobrenome porque renego toda a imundície que hoje está implícita
no nome Budiño; desacomodado em minha classe porque meu bem-estar econômico me
dói como uma culpa, como uma má consciência, enquanto meus iguais desfrutam do
conforto como poderia fazê-lo uma fêmea folgazã; desacomodado em minhas crenças,
sobretudo políticas, porque extraio meus recursos de um sistema de vida
totalmente oposto ao que prefiro [...]”
(“Gracias por el fuego”, de Mario Benedetti. Porto Alegre: L&m POCKET, 2019, ps. 234/235)
(“Gracias por el fuego”, de Mario Benedetti. Porto Alegre: L&m POCKET, 2019, ps. 234/235)
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