“FRAGATAS PARA TERRAS DISTANTES” (Ensaios) – de Marina Colasanti
“A literatura nada mais é,
afinal, do que um longo, um interminável discurso sobre a vida, um artifício em
que, através de narrativas, os seres humanos elaboram suas paixões, suas angústias,
seus medos, e se aproximam do grande enigma do ser.
Lendo, aprendemos não só a
colocar as palavras em nossos próprios sentimentos, como, graças a
representações simbólicas, aprendemos a vida.
[...]
Entretanto, na literatura,
processos inconscientes aproximam as crianças da essência das coisas. E elas
podem desdobrar a guerra através das paixões humanas, para ir encontrá-la onde
verdadeiramente nasce, nos instintos de sobrevivência e de territorialidade, no
medo do outro, na agressividade própria do ser humano. Conhecer a raiz das
coisas não torna as coisas melhores. Mas ajuda a lidar com elas.”
“FRAGATAS PARA TERRAS
DISTANTES” (Ensaios)- “Lendo na casa da guerra! – de Marina Colasanti – Rio de
Janeiro: Editora Record, 2004, ps. 188/189.