“A VIDA MENTIROSA DOS ADULTOS”, DE ELENA FERRANTE.
“O tempo da minha adolescência é lento, feito de grandes blocos cinzentos e pequenas saliências verdes ou vermelhas ou roxas. Os blocos não têm horas, dias, meses, anos, e as estações são incertas, faz calor e frio, chove e faz sol. As saliências também não têm um tempo certo, a cor é mais importante do que qualquer datação. De resto, a duração da própria coloração que certas emoções assumem é irrelevante, quem está escrevendo sabe. Assim que você procura as palavras, a lentidão se transforma em um vórtice e as cores se confundem como as de diferentes frutas em um liquidificador. Não apenas “o tempo passou” se torna uma fórmula vazia, mas também “uma tarde”, “uma manhã”, “uma noite” acabam sendo indicações convenientes.” (“A vida mentirosa dos adultos”, de Elena Ferrante. RJ: Intrínseca, 2020, p. 321).
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