“A RESISTÊNCIA”, de Julián Fuks.
“Não tento mais chegar à porta,
estou parado a alguns metros da entrada, e no rádio de um camarada se repete a
notícia que nos convoca: hoje anunciaram mais um neto recuperado. É apenas o
neto 114, quando centenas de netos ainda faltam, quatro centenas de crianças
usurpadas após o parto, quatro centenas de destinos ignorados. É apenas o neto
114, vocifera o locutor emocionado, mas este caso tem um valor simbólico, este é
o neto de Estela de Carlotto, líder histórica das Avós. Foram trina anos, foram
mais de trinta anos de busca, de espera, de luta e tenacidade, mais de trina
anos que culminam nesta tarde.” (“A Resistência”, de Julián Fuks. São Paulo: Companhia
das Letras, 2015, p. 129.)
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