PROMESSA AO AMANHECER - ROMAIN GARY
"Isso era certo, mas eu não sabia. Foi só chegando aos quarenta que comecei a compreender. Não é bom ser amado tão jovem, tão cedo. Isso nos deixa mal-acostumados. A gente acredita que isso aconteceu. Acredita que isso existe em outros lugares, que pode ser reencontrado. Contamos com isso. Observamos, esperamos, aguardamos. Como o amor maternal, a vida nos faz, ao amanhecer, uma promessa que não cumprirá jamais. Depois, somos obrigados a comer um prato frio até o fim dos dias. A partir de então, cada vez que uma mulher nos toma em seu braços e nos aperta contra seu peito, isso não passa de condolências. Acabamos sempre voltando a chorar sobre o túmulo de nossa mãe como um cão abandonado. Nunca mais, nunca mais, nunca mais. Braços adoráveis se fecham em torno do seu pescoço e lábios suaves lhe falam de amor, mas você já sabe. Muito cedo você foi à fonte e bebeu tudo. Quando a sede volta, não adianta procurar por todos os lados, não há mais poços, apenas miragens. No primeiro clarão do amanhecer, você estudou profundamente o amor e traz agora consigo os certificados. Por onde quer que vá, carrega o veneno das comparações e passa seu tempo esperando por algo que já recebeu.
Não digo que se deva impedir as mães de amar seus filhos. Digo simplesmente que é melhor que as mães tenham mais alguém para amar. Se minha mãe tivesse tido um amante, eu não teria passado minha vida a morrer de sede à beira de todas as fontes. Infelizmente para mim, eu entendo de diamantes verdadeiros." (Editora Estação Liberdade, 2008, p. 36)
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